29/12/2015

In order to rise
From its own ashes
A phoenix
First
Must
Burn. 



Octavia Butler

16/12/2015

Aparentemente...

... meu senso de seletividade acerca das batalhas que eu travo contra o mundo está falhando sem que possa fazer muita coisa pra evitar que isso aconteça. Me pego infinitamente tropeçando nas minhas próprias palavras porque no passado (aquele passado não tão distante assim) as palavras transbordavam da minha boca em direção ao vento. E elas iam embora, me deixando sozinha e abalada, pensando sinistramente nas consequências de palavras criarem asas assim. O senso comum da sobrevivência me encurralou em uma relação abusiva com meu medo abissal da vida. Meu medo, com seus olhos de espelho e perfume familiar de antecipação da fortuna.
Parece aquela sensação de depressão muda que o clima exerce sobre os corpos antes de chover. Quando a gravidade parece melancólica e estranhamente silenciosa, fluindo mais em direção ao chão do que o normal. Levando tudo o que tem vida a olhar para os próprios eixos de fundamento, com uma pressa injustificável de buscar abrigo imediato, de olhar nada acima do horizonte sem cerrar levemente os olhos e pressionar os lábios com breve descontentamento. É isso que eu sinto, a estranha calmaria antes da tempestade, a sensação de que existem mudanças indefinidas logo após eu dobrar a esquina, como a antecipação de algo que eu não sei se é uma tragédia ou um milagre, mas que é inegavelmente ALGO, pulsante, vivo, andando irreversivelmente na minha direção com passos abafados.
É a sensação de ser vigiada. E a sensação cresce pele acima, como um arrepio eriçando os poros das costas em direção ao pescoço. Como uma mão tocando a pele nua entre as minhas escápulas, e a mão não se move e não pode ser vista, mas está inegavelmente lá, morna, irrequieta, transpirando, pressionando minhas vértebras com irreparável obstinação. Como se a minha pele buscasse irremediavelmente aplacar o desequilíbrio de polaridades entre o céu e a terra, antecipando ansiosamente a sensação ensurdecedora de ser atingida pelo raio (que sempre cai no mesmo lugar, afinal).

What should I do, lennavan? What should I do?


06/12/2015

Under the lights

Eu sei o que acontece quando eu fecho os olhos pra dormir
Eu sei o que tu vê, porque eu vejo o mesmo
E eu também sei que tu sabe que eu tenho uma lista do tamanho de um livro de travesseiro enumerando todos os motivos pelos quais a gente não daria certo tendo qualquer tipo de relação que não fosse estranha aos meus [a]braços

O que tu não sabe é que o item número um é como um tiro de doze no meio do meu esterno
quebrando devagar meus ossos, me curvando sobre o peso do tiro
atravessando meu peito
cheirando à pólvora e carne queimada
dilacerando meus pulmões e roubando meu ar
saindo como uma breve nota monocórdia dos meus lábios entreabertos
espirrando meu sangue e minha auto estima pela parede

de uma arma que ninguém segura

e tudo o que escorre em direção ao chão
tem o peso da gravidade e do meu desespero
tem o peso da minha mão tentando estancar o sangue
tem o peso do teu sorriso indelével de inocência
passando infinito na minha mente de olhos sem pálpebras

não é tua culpa
não é minha também

mas
E U D E S I S T O